segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Seu Cristianismo e sua Igreja

Por Mark Dever.

Mark Dever é pastor da Igreja Batista de Capitol Hill, no distrito de Washington; fundador do ministério 9Marcas e um dos organizadores do ministério Juntos Pelo Evangelho; conferencista internacional e autor de vários livros, incluindo os livros “Nove Marcas de Uma Igreja Saudável”,”Refletindo a Glória de Deus” e “Deliberadamente Igreja”, todos publicados em português pela Editora FIEL.


Às vezes, ministérios em campus universitários pedem-me que fale aos seus estudantes. Em diversas ocasiões, tenho começado assim minhas considerações: “Se você confessa ser um cristão e não é membro da igreja que freqüenta com regularidade, preocupa-me o fato de que você pode estar indo para o inferno”.

Certamente, esse é o tipo de afirmação que atrai a atenção deles.

Ora, estou procurando causar uma reação chocante? Acho que não. Estou tentando amedrontá-los para que se tornem membros da igreja? Não, de modo algum. Estou dizendo que unir-se a uma igreja faz de alguém um cristão? Certamente não. Jogue fora e despreze qualquer livro ou pregador que diz isso.

Então, por que começo com esse tipo de advertência? Porque desejo que eles percebam a importância e a necessidade de uma igreja local saudável na vida cristã e comecem a compartilhar a paixão pela igreja que caracteriza tanto a Cristo como os seus seguidores.

No ocidente (e outros lugares?), muitos cristãos tendem hoje a ver seu cristianismo como um relacionamento pessoal com Deus e não mais do que isso. Eles sabem que esse relacionamento pessoal tem implicações na maneira como devem viver. Contudo, inquieta-me o fato de que muitos cristãos não compreendem como esse relacionamento primordial com Deus necessita de inúmeros relacionamentos pessoais secundários — os relacionamentos que Cristo estabeleceu entre nós e seu corpo, a Igreja. Deus não deseja que esses relacionamentos sejam escolhidos de conformidade com nossos caprichos entre os muitos cristãos que estão “lá fora”. Ele quer estabelecer-nos em um relacionamento com um corpo de pessoas de carne e osso, que pisarão nos seus calos.

Por que me preocupo com fato de que, se você confessa ser um cristão, mas não é um membro firme da igreja local que freqüenta, pode estar indo para o inferno? Por um momento, pense comigo no que significa ser um cristão.

O que é um cristão?

Um cristão é alguém que, antes e acima de tudo, foi perdoado de seu pecado e reconciliado com Deus, o Pai, por meio de Jesus Cristo. Isso acontece quando a pessoa se arrepende de seus pecados e coloca sua fé na vida perfeita, na morte substitutiva e na ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Em outras palavras, um cristão é alguém que se esgotou a si próprio e todos os seus recursos morais. Reconheceu que, em desafio à lei de Deus, havia dedicado sua vida à adoração e ao amor às coisas e não a Deus — coisas como a profissão, a família, aquilo que o dinheiro pode comprar, a opinião das pessoas, a honra de sua família e da comunidade, o favor dos falsos deuses de outras religiões, os espíritos deste mundo ou mesmo as coisas boas que uma pessoa pode fazer. Também reconheceu que esses ídolos são senhores duplamente condenatórios. Seus apetites nunca são satisfeitos nesta vida. E provocam a ira justa de Deus na vida por vir, uma morte e um julgamento, dos quais o cristão experimenta um pouco nas infelicidades deste mundo.

Portanto, um cristão sabe que, se tivesse de morrer hoje à noite e comparecer diante de Deus, e Ele lhe dissesse: “Por que devo permitir que você entre na minha presença?” O cristão diria: “Senhor, não deves deixar-me entrar. Tenho pecado contra Ti e tenho para contigo uma dívida que sou incapaz de pagar”. No entanto, ele não pararia aí. Continuaria: “Mas, por causa de tuas grandes promessas e misericórdia, confio no sangue de Jesus Cristo que foi derramado como substituto por mim e pagou o meu débito moral, satisfazendo as tuas exigências santas e justas e removendo a tua ira contra o meu pecado!”

Com base na garantia de ser declarado justo em Cristo, o cristão é alguém que descobriu o começo da liberdade da escravidão ao pecado. Os ídolos e outros deuses nunca podiam ser satisfeitos, e seus apetites, plenamente atendidos; mas a satisfação de Deus quanto à obra de Cristo implica que a pessoa comprada da condenação por meio da obra de Cristo agora é livre! Pela primeira vez, o cristão é livre para virar suas costas ao pecado, não para substituí-lo servilmente com outro pecado, e sim com o desejo pelo próprio Cristo e pela norma de Cristo para a sua vida; este desejo é outorgado pelo Espírito. Adão tentou remover Deus do trono e tornar-se divino. O cristão, porém, se regozija no fato de que Cristo está no trono. Medita na vida de perfeita submissão de Jesus à vontade e às palavras do Pai, procurando ser semelhante ao seu Salvador.

O cristão é, primeiramente, alguém que em Cristo foi reconciliado com Deus. Cristo satisfez a ira de Deus, e o cristão é agora declarado justo diante dEle, chamado a uma vida de retidão, e vive na esperança de uma dia estar diante da majestade de Deus, no céu.

E isso não é tudo! Em segundo lugar, o cristão é alguém que, pela virtude de sua reconciliação com Deus, foi reconciliado com o povo de Deus. Você lembra a primeira história narrada na Bíblia depois da queda de Adão e Eva e sua expulsão do jardim? É a história do primeiro ser humano sendo assassinado por outro — Caim matando Abel. Se o ato de tentar remover Deus do trono é, em si mesmo, uma tentativa de colocarmos a nós mesmos ali, então, certamente não deixaremos que outro ser humano ocupe esse lugar. Não lhe daremos nem uma chance. A atitude de Adão em quebrar a comunhão com Deus resultou num rompimento imediato da comunhão entre os seres humanos. Todo homem vive para si mesmo.

Não deve nos surpreender o fato de que Jesus disse: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento e o teu próximo como a ti mesmo (cf. Mt 22.34-40). Os dois mandamentos andam juntos. O primeiro produz o segundo, e este comprova o primeiro.

Ser reconciliado com Deus por meio de Cristo significa ser reconciliado com todos aqueles que estão reconciliados com Deus. Após descrever, na primeira metade de Efésios, a grande salvação que Deus nos deu em Cristo Jesus, Paulo passou a descrever, na segunda metade da epístola, o que essa grande salvação significa nos relacionamentos entre judeus e gentios e, por extensão, entre todos os que estão em Cristo. Ele escreveu:
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade... para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade (Ef 2.14-16).

Todos os que pertencem a Deus são “concidadãos” e membros da “família de Deus” (v.19). Estamos unidos com Cristo no “santuário dedicado ao Senhor” (v. 21). Essas são apenas algumas das analogias dentre as que podemos escolher.

Talvez o meditar na analogia de uma família nos ajude a perceber que estar reconciliado com Deus também significa estar reconciliado com o seu povo. Se você é um órfão, não adota os pais; antes, são eles que o adotam. Se os seus pais adotivos se chamam Oliveira, agora, o seu jantar é sempre junto dos pais e irmãos da família Oliveira. À noite, você compartilha de uma cama com seus irmãos na família Oliveira. Quando, na escola, o professor faz a chamada, e diz: “Oliveira”, você levanta a mão, como o fazia o seu irmão mais velho e como o fará sua irmã mais nova. E faz isso não porque decidiu cumprir o papel de um Oliveira, e sim porque um dia alguém foi ao orfanato e disse: “Você será um Oliveira”. Naquele dia você se tornou filho de alguém e irmão de outros.

Bem, o seu nome não é Oliveira, e sim Cristão, designado de acordo com o nome dAquele por meio de quem você foi adotado — Cristo (Ef 1.5). Agora você faz parte de toda a família de Deus. “Tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só” (Hb 2.11).

Esta não é uma família disfuncional, cujos membros não conhecem um ao outro. É uma comunhão. Quando Deus o chamou à “comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1Co 1.9), Ele também o chamou à “comunhão” com toda a família (1Co 5.2).

E não é uma comunhão formal e requintada. É um corpo que se mantém unido por meio de nossas decisões individuais, mas também por algo que está muito além da decisão humana — a obra e a pessoa de Cristo. Se você dissesse: “Não faço parte da família”, isso seria tão insensato como se arrancasse a sua própria mão ou nariz. Conforme Paulo disse aos cristãos de Corinto: “Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós” (1Co 12.21).

Em resumo, é impossível respondermos à pergunta “o que é um cristão?”, sem entrarmos numa conversa sobre a igreja. É impossível, pelo menos, de acordo com a Bíblia. E não somente isso; se não acabarmos falando sobre a igreja, é difícil nos mantermos fiéis a qualquer das metáforas referentes a ela, porque o Novo Testamento usa tantas: uma família, uma comunhão, um corpo, uma noiva, um povo, um templo, uma senhora e seus filhos. E o Novo Testamento nunca retrata o cristão como alguém que existe fora da comunhão da igreja por muito tempo. A igreja não é realmente um lugar. É um povo — o povo de Deus em Cristo.

Quando alguém se torna um cristão, ele não se une a uma igreja local tão-somente porque isso é um hábito que contribui à maturidade espiritual. Ele se une a uma igreja local porque isso é a expressão daquilo em que Cristo o tornou — um membro de seu corpo. Estar unido a Cristo implica estar unido a todos os cristãos. Contudo, essa união universal precisa ter uma existência viva e atuante em uma igreja local.

Às vezes, os teólogos se referem à distinção entre a igreja universal (todos os cristãos, de todos os lugares, em toda a história) e a igreja local (as pessoas que se reúnem em um lugar específico para ouvir a Palavra sendo pregada, praticar o batismo e celebrar a Ceia do Senhor). À exceção de algumas referências à igreja universal (tal como Mateus 16.18 e grande parte de Efésios), em sua maioria o Novo Testamento apresenta referências à igreja local, como nestas palavras de Paulo: “À igreja de Deus que está em Corinto”; “Às igrejas da Galácia”.

O que afirmamos em seguida é menos intenso, mas importante. O relacionamento entre nossa membresia na igreja universal e nossa membresia na igreja local é um pouco semelhante ao relacionamento entre a justiça que Deus nos outorga mediante a fé e a prática da justiça em nossa vida diária. Quando, pela fé, nos tornamos cristãos, Deus nos declara justos. Mas também somos chamados a praticar a justiça. Uma pessoa que continua a viver alegremente na injustiça faz-nos duvidar se ela realmente possui a justiça de Cristo (cf. Rm 6.1-18; 8.5-14; Tg 2.14-15). Esse princípio também se aplica àqueles que se recusam a comprometer-se com uma igreja local. Comprometer-se com uma igreja local é o resultado natural — confirma aquilo que Cristo fez. Se você não tem qualquer interesse em se comprometer verdadeiramente com um grupo de cristãos que ensinam a Bíblia e crêem no evangelho, deve perguntar a si mesmo se, de fato, pertence ao corpo de Cristo! Ouça com atenção o escritor da Epístola aos Hebreus:
“Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Hb 10.23-27).

Se a nossa condição diante de Deus é de fato autêntica, isto se transportará às nossas decisões diárias, ainda que o processo seja lento e cheio de passos errados. Deus realmente muda o seu povo. Isso não é maravilhoso? Portanto, amigo, não seja complacente com uma idéia vaga de que você possui a justiça de Cristo, se não está seguindo uma vida de retidão. De modo semelhante, por favor, não se deixe enganar por um conceito vago sobre a igreja universal, se você não está buscando esse tipo de vida em uma igreja local.

Exceto em raras circunstâncias, um verdadeiro cristão edifica sua vida na vida de outros por meio da comunhão de uma igreja local. Ele sabe que ainda não “chegou lá”. Ainda é um ser caído e necessita da responsabilidade e da instrução daquele corpo de pessoas chamado igreja. E essas pessoas necessitam dele.

Quando nos reunimos para adorar a Deus, exercitar o amor e praticar boas obras uns para com os outros, demonstramos na vida real, podemos assim dizer, o fato de que Deus nos reconciliou consigo mesmo e uns com os outros. Demonstramos ao mundo que fomos mudados, não primariamente porque memorizamos versículos bíblicos, oramos antes das refeições, damos o dízimo de nosso salário e ouvimos estações de rádio evangélicas, e sim porque mostramos de maneira crescente uma disposição de suportar, perdoar e amar um grupo de pecadores semelhantes a nós.

Você e eu não podemos demonstrar amor, alegria, paz, paciência ou bondade vivendo isoladamente. Ora, demonstramos essas virtudes quando as pessoas com as quais nos comprometemos dão boas razões para que não as amemos e, apesar disso, nós as amamos.

Você entende? É exatamente ali — no meio de um grupo de pecadores que se comprometeram a amar uns aos outros — que o evangelho é demonstrado. A igreja dá uma apresentação visual do evangelho quando perdoamos uns aos outros como Cristo nos perdoou; quando nos comprometemos uns com os outros como Cristo se comprometeu conosco e quando entregamos nossas vidas uns pelos outros como Cristo entregou sua vida por nós.

Juntos podemos demonstrar o evangelho de um modo que não podemos fazê-lo sozinhos.

Muitas vezes ouço cristãos falando a respeito de seus diferentes dons espirituais. Mas pergunto-me com que frequência eles consideram o fato de que Deus lhes deu tantos dons exatamente para serem usados em reações ao pecado de outros cristãos na igreja. O meu pecado dá-lhe oportunidade de exercer seus dons.

Portanto, una um grupo de homens e de mulheres, jovens e idosos, negros e brancos, asiáticos e africanos, ricos e pobres, iletrados e instruídos, com todos os seus diversos talentos, dons e capacidades. Assegure-se de que todos eles reconhecem que são pecadores, fracos e salvos tão-somente pela graça. O que são essas coisas? Os ingredientes essenciais para formar uma igreja!

Se o seu alvo é amar todos os cristãos, permita-me sugerir que você trabalhe para atingi-lo primeiramente por comprometer-se com um grupo concreto de verdadeiros cristãos, com todas as suas tolices e fraquezas. Comprometa-se com eles por oitenta anos, apesar de todas as dificuldades. Depois, procure-me, e conversaremos sobre o seu progresso no amar todos os cristãos, em todos os lugares.

Então, quem é responsável por pensar sobre o que deveria ser aquele ajuntamento de pessoas chamado igreja? Os pastores e líderes da igreja? Com toda a certeza. Todos os outros cristãos? Sem dúvida alguma. Ser um verdadeiro cristão significa preocupar-se com a vida e saúde do corpo de Cristo, a igreja. Significa preocupar-se com o que a igreja é o que ela deveria ser, porque você, cristão, pertence à igreja.

De fato, nos interessamos pela igreja porque ela é o próprio corpo de nosso Salvador. Você já notou as palavras que Jesus usou para dirigir-se a Saulo (que em breve seria chamado Paulo), o perseguidor dos cristãos, quando o confrontou na estrada de Damasco? “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4). Jesus se identifica tão intimamente com sua igreja, que se refere a ela como a Si mesmo! Você se identifica com aqueles com os quais o Salvador se identifica? Seu coração compartilha das afeições do coração do Salvador?

Há pouco tempo recebi uma carta de um pastor que expressou seu desejo de que os membros de sua igreja soubessem o que deve ser uma igreja. Esse homem humilde deseja uma igreja que o ajude a sentir-se responsável por ela, enquanto a lidera em direção à graça e à piedade. Esse pastor entende o padrão do Novo Testamento. Compreende que um dia Deus o chamará a prestar contas da maneira como pastoreou sua igreja. E, como um pastor fiel, ele deseja que todos os membros de seu rebanho saibam que, um dia, também serão chamados a prestar contas da maneira como amaram uns aos outros, bem como a ele.

Deus perguntará a cada membro do corpo: “Você se alegrava com os outros membros do corpo, quando eles estavam alegres? Chorou com os que choravam? Tratou os fracos como membros indispensáveis e, com honra especial, aqueles que muitos achavam menos dignos de honra? Prestou honra dobrada àqueles que o lideravam e ensinavam?” (cf. 1Co 12.22-26; 1Tm 5.17.)

Cristão, você está preparado para o dia em que Deus o chamará a prestar contas da maneira como amou e serviu a família da igreja, incluindo os seus líderes? Sabe o que Deus afirma a respeito da natureza da igreja?

E pastor, você tem preparado o seu rebanho para a prestação de contas, ensinando-lhes o que a igreja deve ser? Você lhes tem ensinado que serão responsabilizados por afirmarem ou não o ensino do evangelho?


Retirado do livro: O que é uma Igreja Saudável – Cap. 1, 1ª Edição – São José dos Campos. Editora Fiel, 2009.



fonte: www.editorafiel.com.br

sábado, 12 de dezembro de 2009

Dia da Bíblia: "É POSSÍVEL LEVAR A BÍBLIA A SÉRIO?

Por: Pr Isaltino Gomes Coelho Filho

Um crítico ignorante do assunto alegou não poder levar a Bíblia a sério por não se poder provar a autenticidade dos seus manuscritos que deram origem aos livros bíblicos que temos. Ao longo dos tempos, segundo ele, os cristãos os modificaram, para impor suas doutrinas. A Bíblia teria sido mudada, segundo eles.

Tucídides, historiador aceito pelos estudiosos, viveu entre 460-400 a.C. Sua obra nos chegou com oito manuscritos de 900 a. D. (1.300 anos depois de sua vida). Os manuscritos de outro historiador, Heródoto, são mais raros, mas também aceitos, como os de Tucídides.

Chegaram-nos em poucas cópias, bem depois da sua vida. As obras de Aristóteles, filósofo grego, foram produzidas em cerca de 330 a.C. O manuscrito mais antigo é de 1.110 d.C. (1.400 anos após sua vida). Nenhum filósofo impugnou Aristóteles por isso. As guerras gaulesas foram narradas por César entre 58 e 50 a. C., mas o manuscrito mais recente data de 1.000 anos depois de sua morte. No entanto, todos eles são aceitos pelos historiadores como dignos de confiança.

Ninguém negará o valor de A Ilíada, de Homero, que tem 643 manuscritos. Pois bem, do Novo Testamento temos cerca de 2.000 manuscritos, cópias de escritos dos anos 46 a 90 de nossa era, bem perto dos eventos, narrados por testemunhas oculares. Quanto ao Antigo Testamento, em 1947, nas cavernas de Qumram, descobriram-se centenas de seus manuscritos, alguns datando de 150 a.C. Até onde se pôde traduzir (e há lingüistas cristãos bem preparados) o texto bate, palavra a palavra, com o que temos traduzido. Não manuseamos uma invenção humana, mas uma revelação verbalizada e cristalizada em escrita há séculos.

Do ponto de vista bibliográfico, a Bíblia possui mais base manuscrítica que qualquer outra peça literária da antigüidade. Só a má fé dirá que o texto foi modificado. Não aceitá-la alegando modificação do texto é ignorância ou má fé.

A questão é que a Bíblia incomoda as pessoas com suas exigências morais e espirituais, pedindo-lhes definição. Ela é, ao mesmo tempo, uma carta de amor e um ultimato da parte de Deus. Uma declaração de que ele nos ama, mas que nos chama a mudar a vida.

Promessas as pessoas querem. Compromisso, não. Seu ceticismo e sua incredulidade não são intelectuais, mas morais. Como disse Mark Twain: "O que me incomoda na Bíblia não são as passagens que eu não entendo, mas sim as que eu entendo".

Não cremos em algo feito por espertalhões, mas numa verdade que Deus revelou e preservou através dos séculos. "Para sempre, ó Senhor, a tua palavra está firmada nos céus" (Salmos 119.89). "


(escrito, originalmente, como pastoral do boletim da PIB de Manaus)

A alma Católica dos Evangélicos no Brasil

Por Augustus Nicodemus

Os evangélicos no Brasil nunca conseguiram se livrar totalmente da influência do Catolicismo Romano. Por séculos, o Catolicismo formou a mentalidade brasileira, a sua maneira de ver o mundo (“cosmovisão”). O crescimento do número de evangélicos no Brasil é cada vez maior – segundo o IBGE, seremos 40 milhões neste ano de 2006 – mas há várias evidências de que boa parte dos evangélicos não tem conseguido se livrar da herança católica.

É um fato que a conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica uma mudança espiritual e moral, mas não significa necessariamente uma mudança na maneira como a pessoa vê o mundo. Alguém pode ter sido regenerado pelo Espírito e ainda continuar, por um tempo, a enxergar as coisas com os pressupostos antigos. É o caso dos crentes de Corinto por exemplo. Alguns deles haviam sido impuros, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. Todavia, haviam sido lavados, santificados e justificados “em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.9-11), sem que isso significasse que uma mudança completa de mentalidade houvesse ocorrido com eles. Na primeira carta que lhes escreve, Paulo revela duas áreas em que eles continuavam a agir como pagãos: na maneira grega dicotômica de ver o mundo dividido em matéria e espírito (que dificultava a aceitação entre eles das relações sexuais no casamento e a ressurreição física dos mortos – capítulos 7 e 15) e o culto à personalidade mantido para com os filósofos gregos (que logo os levou a formar partidos na igreja em torno de Paulo, Pedro, Apolo e mesmo o próprio Cristo – capítulos 1 a 4). Eles eram cristãos, mas com a alma grega pagã. Da mesma forma, creio que grande parte dos evangélicos no Brasil tem a alma católica. Antes de passar às argumentações, preciso esclarecer um ponto. Todas as tendências que eu identifico entre os evangélicos como sendo herança católica, no fundo, antes de serem católicas, são realmente tendências da nossa natureza humana decaída, corrompida e manchada pelo pecado, que se manifestam em todos os lugares, em todos os sistemas e não somente no Catolicismo. Como disse o reformado R. Hooykas, famoso historiador da ciência, “no fundo, somos todos romanos” (Philosophia Liberta, 1957). Todavia, alguns sistemas são mais vulneráveis a essas tendências e as absorveram mais que outros, como penso que é o caso com o Catolicismo no Brasil. E que tendências são essas?

1) O gosto por bispos e apóstolos – Na Igreja Católica, o sistema papal impõe a autoridade de um único homem sobre todo o povo. A distinção entre clérigos (padres, bispos, cardeais e o papa) e leigos (o povo comum) coloca os sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas normais, como se fossem revestidos de uma autoridade, um carisma, uma espiritualidade inacessível, que provoca a admiração e o espanto da gente comum, infundindo respeito e veneração. Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas, rituais.
Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos próprios evangélicos de bispos e apóstolos autonomeados, mesmo após Lutero ter rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira. A doutrina reformada do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da distinção entre clérigos e leigos ainda não permearam a cosmovisão dos evangélicos no Brasil, com poucas exceções.

2) A idéia de que pastores são mediadores entre Deus e os homens – No Catolicismo, a Igreja é mediadora entre Deus e os homens e transmite a graça divina mediante os sacramentos, as indulgências, as orações. Os sacerdotes católicos são vistos como aqueles através de quem essa graça é concedida, pois são eles que, com as suas palavras, transformam, na Missa, o pão e o vinho no corpo e no sangue de Cristo; que aplicam a água benta no batismo para remissão de pecados; que ouvem a confissão do povo e pronunciam o perdão de pecados. Essa mentalidade de mediação humana passou para os evangélicos, com poucas mudanças.
Até nas igrejas chamadas históricas, os crentes brasileiros agem como se a oração do pastor fosse mais poderosa do que a deles e como se os pastores funcionassem como mediadores entre eles e os favores divinos. Esse ranço do Catolicismo vem sendo cada vez mais explorado por setores neopentecostais do evangelicalismo, a julgar por práticas já assimiladas como “a oração dos 318 homens de Deus”, “a prece poderosa do bispo tal”, “a oração da irmã fulana, que é profetisa”, etc.

3) O misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados – O Catolicismo no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos, uso de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água benta, entre outros.
Hoje, há um crescimento espantoso, entre setores evangélicos, do uso de copo d’água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas, pentes santos do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupa de entes queridos, oração no monte, no vale; óleos de oliveiras de Jerusalém, água do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão (distribuídas em profusão), o cajado de Moisés... é infindável e sem limites a imaginação dos líderes e a credulidade do povo. Esse fenômeno só pode ser explicado, ao meu ver, por um gosto intrínseco pelo misticismo impresso na alma católica dos evangélicos.

4) A separação entre sagrado e profano – No centro do pensamento católico existe a distinção entre natureza e graça, idealizada e defendida por Tomás de Aquino, um dos mais importantes teólogos da Igreja Católica. Na prática, isso significou a aceitação de duas realidades coexistentes, antagônicas e freqüentemente irreconciliáveis: o sagrado, substanciado na Santa Igreja, e o profano, que é tudo o mais no mundo lá fora.
Os brasileiros aprenderam durante séculos a não misturar as coisas: sagrado é aquilo que a gente vai fazer na Igreja: assistir Missa e se confessar. O profano – meu trabalho, meus estudos, as ciências – permanece intocado pelos pressupostos cristãos, separado de forma estanque. É a mesma atitude dos evangélicos. Faltanos uma mentalidade que integre a fé às demais áreas da vida, conforme a visão bíblica de que tudo é sagrado. Por exemplo, na área da educação, temos por séculos deixado que a mentalidade humanista secularizada, permeada de pressupostos anticristãos, eduque os nossos filhos, do ensino fundamental até o superior, com algumas exceções.
Em outros países, os evangélicos têm tido mais sucesso em manter instituições de ensino que, além de serem tão competentes como as outras, oferecem uma visão de mundo, de ciência, de tecnologia e da história oriunda de pressupostos cristãos. Numa cultura permeada pela idéia de que o sagrado e o profano, a religião e o mundo, são dois reinos distintos e freqüentemente antagônicos, não há como uma visão integral surgir e prevalecer, a não ser por uma profunda reforma de mentalidade entre os evangélicos.

5) Somente pecados sexuais são realmente graves – A distinção entre pecados mortais e veniais feita pelo catolicismo romano vem permeando a ética brasileira há séculos. Segundo essa distinção, pecados considerados mortais privam a alma da graça salvadora e a condenam ao inferno, enquanto que os veniais, como o nome já indica, são mais leves e merecem somente castigos temporais. A nossa cultura se encarregou de preencher as listas dos mortais e dos veniais. Dessa forma, enquanto se pode aceitar a “mentirinha”, o jeitinho, o tirar vantagem, a maledicência, etc., o adultério se tornou imperdoável. Lula foi reeleito cercado de acusações de corrupção. Mas, se tivesse ocorrido uma denúncia de escândalo sexual, tenho dúvidas de que teria sido reeleito ou de que teria sido reeleito por uma margem tão grande.
Nas igrejas evangélicas – onde se sabe pela Bíblia que todo pecado é odioso e que quem guarda toda a lei de Deus e quebra um só mandamento é culpado de todos – é raro que alguém seja disciplinado, corrigido, admoestado, destituído ou despojado por pecados como mentira, preguiça, orgulho, vaidade, maledicência, entre outros.
As disciplinas eclesiásticas acontecem via de regra por pecados de natureza sexual, como adultério, prostituição, fornicação, adição à pornografia, homossexualismo, etc., embora até mesmo esses estão sendo cada vez mais aceitáveis aos olhos evangélicos. Mais um resquício de catolicismo na alma dos evangélicos? O que é mais surpreendente é que os evangélicos no Brasil estão entre os mais anticatólicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa polêmica), o Brasil é um dos países onde convertidos do catolicismo são rebatizados nas igrejas evangélicas.
O anticatolicismo brasileiro, todavia, se concentrou apenas na questão das imagens e de Maria e em questões éticas como não fumar, não beber e não dançar. Não foi e não é profundo o suficiente para fazer uma crítica mais completa de outros pontos que, por anos, vêm moldando a mentalidade do brasileiro, como mencionei acima. Além de uma conversão dos ídolos e de Maria a Cristo, os brasileiros evangélicos precisam de conversão na mentalidade, na maneira de ver o mundo. Temos de trazer cativo a Cristo todo pensamento, e não somente os nossos pecados. Nossa cosmovisão precisa também de conversão (2 Co 10.4-5).

Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais católicas de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas, me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro não é, na verdade, um filho da Igreja Católica medieval, uma forma de neocatolicismo tardio que surge e cresce em nosso país, onde até os evangélicos têm alma católica.

Fonte: http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=208

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Catolicamente Universal

Para os amantes da boa leitura e pesquisa, segue um excelente trabalho:


Da igreja católica à igreja universal
Um estudo sobre os sentidos construídos por católicos que se converteram à igreja universal do reino de Deus

Dissertação de Mestrado em Psicologia defendida por Clauberson Sales do Nascimento Rios na Universidade de Fortaleza

Esta dissertação teve como objetivo maior apreender os sentidos que foram construídos por católicos ao longo de seu processo de conversão para a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). De um modo específico, procurou-se investigar como a Religião Católica servia de suporte aos fiéis para a resolução do mal-estar e do desamparo antes da conversão; identificar porque os fiéis se afastaram de sua tradição religiosa; apontar os aspectos subjetivos que motivaram a escolha da IURD como nova opção religiosa; e analisar as repercussões da conversão na vida destes sujeitos, em especial nas dimensões de significação do mal-estar e do desamparo. Partindo de um esquema geral acerca das Etapas da Conversão propostas por Valle (2002), estas etapas foram repensadas com base no referencial teórico que sustentou esta pesquisa, qual seja, a psicanálise, saber este que serviu tanto para a construção das categorias teóricas deste estudo (Mal-estar, Desamparo, Investimento de Objeto e Weltanschauung), como para a análise dos dados.

Muito boa esta discertação.
Recomendo
Leia o restante do texto em http://www.unifor.br/tede//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=746181

Fonte: http://pavablog.blogspot.com/2009/11/catolicamente-universal.html

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Agora é a vez do Trízimo?

Agora é a vez do Trízimo?
Apóstolo Valdomiro Santiago agora quer 30% (trinta por cento) no mês de dezembro.

Hoje pela manhã, me levantei ás 5 da madruga e resolvi ligar a Tv para ver o que estava passando na telinha gospel; depois de escutar por trinta minutos o Valdomiro Santiago falando sobre um tal saquitel abençoado e lançando um DESAFIO, e põe desafio nisso, é assim:

“No mês de dezembro os fiéis devem fazer um pacto de fé e dar trinta por cento para a obra de Deus”, a Igreja Mundial é claro, isso porque em todo o tempo estava aparecendo o número da conta da igreja.

Até aí a gente até engole (não vou dar mesmo) , mas derrepente ele pede que o pessoal mande suas cartas com seus projetos (isso porque ele quer ter a certeza de quantos irão doar) e ele Valdomiro vai subir 3 noites no monte com as cartas, 3 noites para representar a trindade, e os 30% é exatamente para representar a trindade, aí foi o cúmulo do absurdo.

Na Rede TV enquanto eu alternava os canais, lá estava o Silão em competição acirrada com o Valdomiro, só que estava vendendo livros a `doidado`, era promoção em cima de promoção; livros de auto ajuda igual os do Paulo Coelho. Parece que o Silão anda lendo os livros do Paulo Coelho, isso é revelado nos títulos de suas mensagens.

Agora tem a Bíblia da esposa do Silão, é isso mesmo, hummmmm! Fabricação própria? Bíblia da mulher vitoriosa em 3x no cartão, com a garantia das Organizações Tabajara.

Já na Rede Record estava os bispos Universais bezendo o copo com água para dar força para os ` bebuns de água benta`, isso porque ele apresentava a CORRENTE DOS 70 COM O MANTO SAGRADO DE ISRAEL, caramba, eles tem uma imaginação muito fértil.

Ainda tinha os testemunhos da Fogueira Santa de Israel.

É, e tinha também a Noite da Força Interior, com o convite a todos os espíritas, muçulmanos, romanos, macumbeiro etc, todos convidados a buscarem a força interior, até parece que assistiram o Guerra nas Estrelas, “Que a força esteja com você”.

Perguntas? Sim, mas não do tipo a bíblia responde, mas a Ex-sensitiva responde, no final é tudo mal de encosto, encoxto? E a pessoa precisa Tomar o Banho das Sete Águas na sexta feira e é descrito assim:
- A água do Mar: É salgada e traz o sabor e a conservação.
- A água do Lago: é calma e neutraliza as ações do mal.
- A água do Rio: Está sempre correndo, para que sua vida avance.
- A água da Torneira: é tratada e saudável, você receberá um tratamento que pela fé vai trazer a saúde para sua vida.
- A água da Fonte: representa purificação, a sua vida será purificada.
- A água da Chuva: não depende do homem, para que você dependa somente de Deus.
- A água da Cachoeira: tem o poder de derrubar os obstáculos em sua vida.

A água destes 7 locais tem uma influência específica e definitiva! Assim em um ato de fé faremos o Banho das 7 Águas para a limpeza espiritual daqueles que se sentem vítimas de uma atuação do mal. IURD na Rede Record.

Será isso Boacumba?

Quanto lixo!

O que está acontecendo com o Evangelho do Senhor Jesus?

Bom volto a Rede TV e lá está o Silão com as palavras: A consciência é o chicote da alma, e lá vem mais banca de livros e DVDs e pedidos de parceiros.

Silão & Cia ainda apresenta um Congresso de Avivamento Despertai em Jerusalém.

Volto ao Valdomiro, lá está o homem batendo da tecla do trízimo?

Calma, ele explica, por causa da trindade, é 10% para o Pai, 10% para o Filho e 10% por cento para o Espírito Santo e ele, Valdomiro vai para o monte 3 dias representando a trindade com os sacos de cartas nas costas, isso é ele quem disse, é o fim ou não é?

Comecei a digitar essas letras para a postagem aqui no Blog e mostrar minha indignação a essa miséria que nada acrescenta a alma perdida no pecado.

Sou bereiano, e assim disse Jesus: “Acautelai-vos que ninguém vos engane”.

No final você me pergunta indignado: E os testemunhos de cura do Valdomiro? Você não diz nada?

"Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando- se em apóstolos de Cristo.

E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.
Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras." 2Co 11.13-15

Só me resta orar ao Senhor que me ajude a não abandonar a Palavra por ouro.

Bereiano.
http://bereiano. blogspot. com/ Pr. Norberto Carlos Marquardt

E seremos a geração que...


Por: Pr. Jeff / Geração Benjamim

E seremos a geração que...

morreu sem realizar o que queimava no coração dela.


“E seremos a geração que dança. E seremos a geração que canta.” E daí? Grande coisa. Vamos ser honestos, quem sonhava com isso. Eu não. Sei lá, mas eu sonhava com algo tipo missões, ganhar almas, marcar minha geração, morrer pelo evangelho. Pode me chamar de José se quiser, o sonhador, não me importo, pois não coloco muito valor na palavra, ou melhor, critica de alguém que depois de muitos anos ainda está tentando pular como um coelho nas conferências realizando seu sonho de ser a geração que canta e dança. Deus me livre!


Eu acho que a coisa que mais me irrita hoje, além do lixo sendo pregado nos púlpitos, é que foi isso que nós vendemos para uma geração; uma geração que está agora casada, barriguda, e que nem dança mais, pois tem medo de enfartar. Caraca, o que aconteceu? Onde nós erramos? Era tanto potencial e disposição e agora é “comunhão na casa de Fulano”.


Quando era para nós enviarmos eles, nós seguramos, pois queríamos o grupo maior da cidade.
Eles queriam ser missionários, então ensinávamos umas peças, pintaram seus rostos e os levaram para a praça mais perto para que pudessem ser completamente humilhados e nunca falar de missões de novo. Só pra saber, “Aquilo era missões?”.


E agora tem entrado uma nova geração e nós estamos cometendo os mesmos erros e pecados. Quando olhamos para os jovens da igreja, é obvio que temos falhado em capturar seus corações e imaginações. Nós temos falhado em dar a eles uma razão de viver, uma causa pelo que dar as suas vidas. Nós temos falhado em mostrar algo a eles tão importante que vale a pena morrer por ele.


Quando você olha nos seus olhos não há fogo, não há vida. Vida para eles é quatro horas na frente do computador batendo papo com seus amigos virtuais. Mas eles não têm nada que queima no coração deles, que faz eles sair da cama na manha, que possuí eles. Eles não têm nada pra que viver e bem menos nada pelo que morrer.


Nós falávamos para eles que Deus queria os usar e depois os fechamos em prédios com bandas, pizza e luzes coloridas para gastar a noite dançando e cantando enquanto o mundo lá fora está passando fome, morrendo e indo para inferno. Será que é isso que estávamos referindo quando falávamos que “Deus quer os usar”? Será que não tem mais? E se eles mostram uma preocupação com aqueles fora da “terra protegida”, nós falamos que não são preparados, que sua hora vai chegar. Por enquanto, é festa e alegria. Pegue mais um pedaço de pizza.


Nós falávamos para eles que podiam mudar o mundo enquanto eles nem sabem como mudar as suas próprias vidas. E em vez de confrontar eles na maneira que vive e seus valores, nós mudamos a estrutura da igreja para acomodar eles. Nós criamos “namoro santo” e colocamos “play stations” na sala de oração. Mas, não muito tempo depois, a nossa estrutura não os satisfazia mais. Em vez de treinar eles, nós temos entretido eles. Em vez de desafiar eles, acomodávamos e acabávamos frustrando e perdendo eles, pois a verdade é que não era isso que eles queriam.


Cada geração precisa de uma bandeira pra levantar, uma causa pra abraçar, algo para dar as suas vidas, mas em algum lugar no caminho somente Jesus e salvação não passaram de ser suficientes. Somente alcançando os perdidos parecia de ser algo comum demais. Então, nós começamos falar em milagres e mortos ressuscitando. Nós tentamos criar coisas melhores mais barulhentas, mais animadas, projetos que iam no fim fazer nada mais do que ocupar seu tempo e os fazer pensar que estavam fazendo algo enquanto não estavam realizando nada. Nós críamos uma geração que canta e dança, mas não faz nada mais do que isso, e eles sabem disso. Ninguém foi enganado e eles ainda estão tentando se descobrir e achar seu propósito, sua razão de viver, e morrer.


Preguiçoso, desinteressado, não produtivo: termos que muito bem podem ser usados para descrever essa geração que uma vez tinha esperança em ser usada e marcar o mundo. Mas, por quê? Por que nós não demos nada pra eles fazerem de verdade. E vamos ser honestos, esperando é ruim. É agora ou nunca. Nós os desafiamos agora, nós os treinamos agora, nós investimos neles agora, ou nós os perdemos para sempre.


• 75% dessa geração estão deixando a igreja para não voltar mais.


Considere isso uma carta de um velho que chora para a juventude, que lamenta tanto potencial perdido, que quer pedir seu perdão.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

OS DEZ “NUNCA” DE UM PASTOR SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

1. NUNCA “PESQUE EM AQUÁRIO” DOS OUTROS
Tenho visto muitos pastores “pescando em aquários”, convidando membros de outras comunidades para se tornarem membros de sua igreja. Eticamente isso é um grande erro, pois além de causar problemas de relacionamentos com seus colegas pastores, produzirá questões de relacionamento também entre as igrejas.

Por outro lado, a Palavra de Deus nos adverte a não abandonar nossa congregação (Hebreus 10:25), e quando você convida alguém para fazer isso e se filiar á sua igreja, estará indo contra a bíblia.

Cuidado! Será que não há outras pessoas mais necessitadas do que os irmãos de outras igrejas para você convidar?

2. NUNCA TOME PARTIDO NUMA QUESTÃO SEM OUVIR OS DOIS LADOS
Esse é um problema delicado, lamentavelmente tenho visto pastores se enredando em questões ministeriais, porque, ao ouvirem uma facção da igreja que apresente uma causa, já tomam logo partido em defesa deste lado, sem ouvir o outro. Isso infelizmente pode trazer injustiças e problemas de relacionamento. Entretanto, julgue a luz da Bíblia, ouça os dois lados, ore e dependa do Espírito santo, para direcionar a questão.

3. NUNCA DEIXE DE PREGAR A PALAVRA DE DEUS COM MEDO DE OFENDER AS PESSOAS
Alguns companheiros não falam sobre determinados assuntos com medo de ofender as pessoas. Isso é pecado! Há pastores que não falam sobre dízimo e ofertas, com medo de o povo sair da igreja. Pessoalmente, eu prefiro que os avarentos saiam da igreja, por eles não terem parte no reino de Deus. (Efésios 5.5.).

Lembre-se, sempre pergunte-se: “Devo agradar á deus ou aos Homens?”

4. NUNCA USE O PÚLPITO PARA ATACAR PESSOAS OU DESCARREGAR SUAS ANSIEDADES E PREOCUPAÇÕES PESSOAIS
O púlpito da igreja é um lugar especial e reservado para a pregação e ensino da Palavra de Deus. O uso do púlpito para “indiretinhas e piadinhas” para uso pessoal também é pecado. Quantos saem da igreja frustrados e magoados por conversar uma coisa com o pastor ou alguém do corpo ministerial e isso vira o tema do sermão da Noite de domingo, principalmente o imaturo, novo convertido.

5. NUNCA PEÇA DINHEIRO EMPRESTADO
“O que toma emprestado é servo do que empresta” (Pv. 22.7)
O pastor precisa estar com sua mente livre de preocupações. É terrível pregar com ansiedade, sabendo que naquela semana há uma conta para pagar. Alguns pegam dinheiro da igreja com a idéia de que depois vão repor.

Pastor, nunca faça tal coisa! Isso abre uma brecha para os ataques do inimigo, que poderá usar uma situação como essa para destruir seu ministério. O diabo é expert nisso, ele pode usar uma situação de envolvimento financeiro para acusar o pastor e deixa-lo sem autoridade espiritual.

Cuidado! Lembre-se disso: “nunca dê o passo maior do que as pernas”

6. NUNCA SUBSTIME O MINISTÉRIO ANTERIOR AO SEU
Existem alguns pastores que, ao assumirem a liderança de uma igreja, tem a tendência de mudar tudo. Desrespeitam a histeria e o ministério anterior da igreja. Sempre jogam a culpa nos antecessores, falando mal da administração, da visão, do jeito de trabalhar do outro, etc. Lembre-se de que um dia também poderá ser substituído e que o que está fazendo agora, poderá ser melhorado pelo seus sucessores.

Perfeição, só no céu!

7. NUNCA MANUSEIE FINANÇAS DA IGREJA
O pastor nunca deve tocar nas finanças da igreja. Deixe que o tesoureiro cuide disso e que a comissão de exame de contas sempre apresente o relatório. Nesse delicado assunto, o pastor nunca deve legislar em causa própria. Você poderá compartilhar com a diretoria da igreja suas necessidades ou dificuldades financeiras, mas deixe que eles tomem as decisões sobre seu salário e benefícios.

8. NUNCA FAÇA CAMPANHAS PARA ARRUMAR CASAMENTO
Há muitas pessoas que não respeitam a situação do solteiro e ficam pressionando para que ele arrume um casamento. Já ouvi de alguns casamentos frustrados, “arranjados” por pastores. O pastor deve saber que Deus o cobrará se isso acontecer. Saiba que Deus tem a pessoa certa, na hora certa, se esta for a vontade Dele, e não a sua.

9. NUNCA ESQUEÇA DE SUA FAMÍLIA
A primeira prioridade do ministro é a sua própria família, que inclui esposa e filhos. O apóstolo Paulo diz que o pastor, “deve governar a sua casa criando seus filhos sob disciplina, com todo respeito” (I Tm. 3.4).

No versículo seguinte, inclusive, o escritor diz que aquele que não governar sua casa está desqualificado para o ministério. Quantos infelizmente querem ensinar e pregar
para a igreja e não podem, até fazem, mas será que dá certo? Alguém o obedece?

Como isso pode acontecer se os de sua casa não estão nem aí? E vice e versa.

10. NUNCA SE ISOLE NO MINISTÉRIO
É muito importante ter amigos para compartilhar as lutas e tribulações. Tenho visto líderes caírem em pecado por serem muitos independentes. A bíblia diz “Levai as cargas uns dos outros” (Gl. 6.2)

Como pastores e líderes, precisamos de companheiros com que possamos abrir nossos corações, orarmos juntos, exortarmo-nos e edificarmo-nos mutuamente.

Pastor busque alguém que você sabe que leva Deus á Sério e o convide para ser seu companheiro!

Fonte: pr Diego/http://www.batistascuritiba.org.br/os-dez-nunca-de-um-pastor-segundo-o-coracao-de-deus/

Isto é Amor

Enviado pela nossa colega Monica.



"Quando eu era criança, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Lembro-me bem daquele velho aparelho preto, em forma de caixa, bem polido, afixado à parede. O receptor brilhante pendia ao lado da caixa. Eu ainda era muito pequeno para alcançar o telefone, mas costumava ouvir e ver minha mãe enquanto ela o usava, e ficava fascinado com a cena!

Então, descobri que em algum lugar dentro daquele maravilhoso aparelho existia uma pessoa maravilhosa - o nome dela era "informação, por favor" e não havia coisa alguma que ela não soubesse. "Informação, por favor" poderia fornecer o número de qualquer pessoa e até a hora certa.

Minha primeira experiência pessoal com esse "gênio da lâmpada" aconteceu num dia em que minha mãe foi na casa de um vizinho. Divertindo-me bastante mexendo nas coisas da caixa de ferramentas no porão, machuquei meu polegar com um martelo.

A dor foi horrível, mas não parecia haver qualquer razão para chorar, porque eu estava sozinho em casa e não tinha ninguém para me consolar. Eu comecei a andar pelo porão, chupando meu dedão que pulsava de dor, chegando finalmente à escada e subindo-a.

Então, lembrei-me: o telefone! Rapidamente peguei uma cadeira na sala de visitas e usei-a para alcançar o telefone. Desenganchei o receptor, segurei-o próximo ao ouvido como via minha mãe fazer e disse:

"Informação, por favor!", com o bocal na altura de minha cabeça.

Alguns segundos depois, uma voz suave e bem clara falou ao meu ouvido:

"Informação."

Então, choramingando, eu disse:

"Eu machuquei o meu dedo..."

Agora que eu tinha platéia: as lágrimas começaram a rolar sobre o meu rosto.

"Sua mãe não está em casa?", veio a pergunta.

"Ninguém está em casa a não ser eu", falei chorando.

"Você está sangrando?" Ela perguntou.

"Não." Eu respondi. "Eu machuquei o meu dedão com o martelo e está doendo muito!"

Então a voz suave, do outro lado falou:

"Você pode ir até a geladeira?"

Eu disse que sim. Ela continuou, com muita calma:

"Então, pegue uma pedra de gelo e fique segurando firme sobre o dedo."

E a coisa funcionou! Depois do ocorrido, eu chamava "Informação, por favor" para qualquer coisa. Pedia ajuda nas tarefas de geografia da escola e ela me dizia onde Filadélfia se localizava no mapa. Ajudava-me nas tarefas de matemática. Ela me orientou sobre qual tipo de comida eu poderia dar ao filhote de esquilo que peguei no parque para criar como bichinho de estimação.

Houve também o dia em que Petey, nosso canário de estimação, morreu. Eu chamei "Informação, por favor" e contei-lhe a triste estória. Ela ouviu atentamente, então falou-me palavras de conforto que os adultos costumam dizer para consolar uma criança.

Mas eu estava inconsolável naquele dia e perguntei-lhe:

"Por que é que os passarinhos cantam de maneira tão bela, dão tanta alegria com sua beleza para tantas famílias e terminam suas vidas como um monte de penas numa gaiola?"

Ela deve ter sentido minha profunda tristeza e preocupação pelo fato de haver dito calmamente:

"Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar!" Não sei porquê, mas me senti bem melhor.

Numa outra ocasião, eu estava ao telefone: "Informação, por favor".

"Informação," disse a já familiar e suave voz.

"Como se soletra a palavra consertar?" Perguntei.

Tudo isso aconteceu numa pequena cidade da costa oeste dos Estados Unidos. Quando eu estava com nove anos, nos mudamos para Boston, na costa leste. Eu senti muitas saudades de minha voz amiga!

"Informação, por favor" pertencia àquela caixa de madeira preta afixada na parede de nossa outra casa; e eu nunca pensei em tentar a mesma experiência com o novo telefone diferente que ficava sobre a mesa, na sala de nossa nova casa. Mesmo já na adolescência, as lembranças daquelas conversas de infância com aquela suave e atenciosa voz nunca saíram de minha cabeça.

Com certa freqüência, em momentos de dúvidas e perplexidade, eu me lembrava daquele sentimento sereno de segurança que me era transmitido pela voz amiga que gastou tanto tempo com um simples menininho.

Alguns anos mais tarde, quando eu viajava para a costa oeste a fim de iniciar meus estudos universitários, o avião pousou em Seattle, região onde eu morava quando criança, para que eu pegasse um outro e seguisse viagem. Eu tinha cerca de meia hora até que o outro avião decolasse. Passei então uns 15 minutos ao telefone, conversando com minha irmã que na época estava morando lá. Então, sem pensar no que estava exatamente fazendo, eu disquei para a telefonista e disse:

"Informação, por favor".

De um modo milagroso, eu ouvi a suave e clara voz que eu tão bem conhecia!

"Informação."

Eu não havia planejado isso, mas ouvi a mim mesmo dizendo: "Você poderia me dizer como se soletra a palavra consertar?"

Houve uma longa pausa. Então ouvi a tão suave e atenciosa voz responder:

"Espero que seu dedo já esteja bem sarado agora!"

Eu ri satisfeito e disse:

"Então, ainda é realmente você? Eu fico pensando se você tem a mínima idéia do quanto você significou para mim durante todo aquele tempo de minha infância!"

Ela disse:

"E eu fico imaginando se você sabe o quanto foram importantes para mim as suas ligações!"

E continuou:

"Eu nunca tive filhos e ficava aguardando ansiosamente por suas ligações."

Então, eu disse para ela que muito freqüentemente eu pensava nela durante todos esses anos e perguntei-lhe se poderia telefonar para ela novamente quando eu fosse visitar minha irmã. "Por favor, telefone sim! É só chamar por Sally".

Três meses depois voltei a Seattle. Uma voz diferente atendeu:

"Informação".

Eu perguntei por Sally.

"Você é um amigo?" Ela perguntou.

"Sim, um velho amigo". Respondi.

Ela disse:

"Sinto muito em dizer-lhe isto, mas Sally esteve trabalhando só meio período nos últimos anos porque estava adoentada. Ela morreu há um mês."

Antes que eu desligasse ela disse:

"Espere um pouco. Seu nome é Paul?"

"Sim" Respondi.

"Bem, Sally deixou uma mensagem para você. Ela deixou escrita caso você ligasse. Deixe-me ler para você."

A mensagem dizia:

"Diga para ele que eu ainda continuo dizendo que existem outros mundos onde podemos cantar. Ele vai entender o que eu quero dizer".

Eu agradeci emocionado e muito tristemente desliguei o telefone. Sim, eu sabia muito bem o que Sally queria dizer.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Você está satisfeito?

Foi o nosso grande Guimarães Rosa, quem escreveu “O animal satisfeito, dorme”. O autor percebeu tão bem que a condição humana perde substância e energia vital, toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão. Rende-se assim à sedução do repouso e imobiliza-se na perigosa acomodação.
O pensador Mario Sérgio Cortella, que aborda o tema, diz que a satisfação não deixa margem para a continuidade, para prosseguimento, para a persistência, para desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Diz ainda, que, quando alguém nos fala: Fiquei muito satisfeito com você ou Estou muito satisfeito com seu trabalho, é algo assustador.

Explica ele que tal expressão pode ser entendida como uma barreira ao crescimento, dizendo que nada mais de nós desejam, ou que aquele é nosso limite, nossa possibilidade. O está bom como está pode ser um grande cerceador da evolução, pois pode nos acomodar à situação atual. Segundo ele, seria muito melhor ouvir a seguinte expressão: Seu trabalho é bom mas fiquei insatisfeito, e portanto, quero conhecer outras coisas.

Percebamos que ele se utiliza da expressão insatisfeito, não para criticar ou depreciar o trabalho, mas para incentivar seu autor à continuidade. Um bom filme, por exemplo, não é aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando quietos para a tela, enquanto passam os créditos, desejando que não acabe? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos no colo, absortos e distantes, pensando que poderia não terminar? Um bom passeio, uma boa viagem, não é aquela que desejamos se prolongue, que nunca acabe? É desta forma que, segundo Cortella, a vida de cada um também deve ser, afinal de contas, não nascemos prontos e acabados.

Ainda bem, pois estar plenamente satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. Termina ele dizendo que somos seres de insatisfação, e precisamos alguma dose de ambição em nossas existências. O animal satisfeito dorme, pois não tem objetivos de vida, não tem razão para sair do lugar.

Trazendo para nós crentes em Cristo Jesus. Será que também estamos dormindo, satisfeitos e confortáveis com nossa atual condição espiritual. Pergunto a você que é crente a muito tempo: Você está satisfeito com a vida cristã que tem levado? Está contente com o tipo de comunhão que está tendo com Deus e com seu povo? Está feliz com a quantidade e qualidade de tempo que tem dedicado a oração e leitura da Palavra de Deus? Está confortável com os frutos que tem dado a Deus pelo testemunho de sua vida? Quantas almas você já levou a Cristo? Está álacre vendo milhares de pessoas todos os dias morrendo e indo para o inferno? Está contente com a atual situação de corrupção, imoralidade, violência, cegueira espiritual, idolatria em que vive nossa sociedade? Está feliz vendo cada vez mais pessoas indo as igrejas na busca de benção materiais e curas milagrosas, enchendo o bolso de falsos profetas, ao invés de salvação de suas almas? Está satisfeito vendo bancos vazios em nossas igrejas, enquanto milhares estão afundadas em miséria espiritual? Enquanto você está lendo este artigo, neste exato momento, milhares de vidas ao nosso redor estão afundadas e arruinadas pelo pecado que certamente as condenará eternamente se não ouvirem as boas novas do evangelho de Jesus Cristo.

Porque está parado aí, vendo as horas, os dias, semanas e anos passarem enquanto o inimigo de nossas almas, que não dorme, nem descansa, trabalhando para roubar, matar e destruir vidas e mais vidas. “O crente satisfeito, dorme”. Meu coração arde como o de Jesus vendo tamanha incredulidade: “Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?” (Mt. 17.17). Podemos acrescentar: Até quando dormireis? Até quando ficaremos aqui parados? “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.” (Jo. 9.4) “E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos”. (Rm. 13.11) “Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.” (Ef.5.14).

Voltemos a Cortella, quando ele diz que “satisfeito” é aquele que parou no tempo, parou de cresce, de produzir, e que não há continuidade. Vemos assim a vida de muitos crentes com o passar do tempo perderam substancialmente sua energia espiritual, a alegria e o vigor daquele primeiro amor do momento da conversão, se foi..., “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras” (Ap. 2.4,5).

Diante de tudo isto, se ainda estiver “satisfeito”. Sugiro que reflita bem se seu cristianismo é autentico. Mas se há em você uma inquietude interior, e um desejo intenso de crescer, melhorar espiritualmente e fazer algo. Então, ponha-se nas afetuosas mãos do nosso Deus, para que ele o use na obra do reino. Não há mais tempo a perder. O evangelho tem pressa. É necessário “desembaraçar-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, e corrermos, com perseverança, a carreira que nos está proposta” (Hb.12.1). Deus nos faça seres de “insatisfação” espiritual.

Pr Nelmo Monteiro Pinto

nelmomonteiro.blogspot.com

Sociedade do Excesso sem exeção

Filhos assassinam pais, professores alertam alunos para a nota zero da prova e recebe um ‘e daí’ como resposta, pulamos normalmente por sobre mendigos nas ruas, receamos nos casar, ficamos ao invés de namorar, assistimos o horror na mídia e não nos assustamos, a expressão da sexualidade é múltipla, convivemos pacificamente com a violência, ser ator não é mais coisa de gay, médico, engenheiro e advogado não são mais as únicas profissões, queimam-se prostitutas, oficiais da sociedade abusam do poder, adoecemos psicologicamente sem saber o porquê e etc.


Estamos numa sociedade ímpar. Sociedade do excesso onde a diversidade não permite exceção. O diverso trouxe uma nova normalidade. O normal não é mais versão do único, mas a expressão do multiverso. Logo, nada é exceção, nem mesmo o excesso.


Sociedade do excesso porque o desejo não tem lei. A autoridade não mais orienta, regula ou limita. A autoridade se cala, pois não tem mais legitimidade para apontar para todos o caminho verdadeiro, pois o saber científico diz não existir. O saber científico é uma autoridade que desregula a autoridade do senso comum e da moral na sociedade. O saber científico se põe perante a autoridade dos pais e educadores apontando-lhes a autoridade que aponta a direção como um sinônimo de autoritarismo e abuso de poder. Daí se explica, por exemplo, os filhos sem limites, violentos contra pais e educadores e filhos que assassinam pais.


Sociedade sem exceção porque não há normalidade única, não há a versão correta a se seguir e nem quem esteja fora da versão, então não há quem esteja fora do normal. Assistimos a morte da moralidade. Não há o ideal, o correto, a verdade única. Dessa forma, ninguém está em exceção, já que não existe uma única versão, mas sim o multiverso, a diversidade de opções possíveis e de maneiras de ser e existir. Daí se explica, por exemplo, a expressão da sexualidade nessa sociedade, onde não há mais homens e mulheres e heterossexuais, há o multiverso de opções sexuais sem quem oriente qual seguir. Não há na sociedade a orientação para uma verdade única como a heterossexualidade.


Sociedade onde tudo é corriqueiro, diverso e em excesso. Onde não ha anormal e nem normalidade, pois tudo é diverso. Então não há exceção ao normal, não há estado de exceção, não há o estranho que assusta, já que tudo é diverso e excessivo. O excesso entre o diverso faz tudo parecer normal-sem-exceção. Nesse contexto se percebe a dessensibilização moral e ética em parcelas da sociedade.


Não há quem hoje se espante ante o excesso de violência, de erotismo e de horror expostos na mídia através de reality shows que se propõem a retirar as fronteiras entre a dimensão pública e privada da existência humana. A retirada dessa fronteira delimitadora entre público e privado proporciona a sensação do excesso na atualidade. Antes o que a moral barrava, hoje o desejo anseia sem limites. O desejo deleita-se com pessoas aprisionadas em condições de vida excessivamente aterrorizantes, erotizadas e violentas.


É o excesso do e no desejo do outro. A hipermodernidade de que fala Lipovetsky. Perante o multiverso o desejo sem lei fica desnorteado e por vezes colapsa. Proibir é proibido. Assim estimula-se a produção do diverso e do excesso. Quem se diverte é o gozo que flui desregradamente livre e temporariamente ou colapsa diante do impasse das escolhas. Isso explica o ‘ficar’ e a dificuldade de arrumar casamentos na sociedade onde ninguém quer compromisso conjugal duradouro.


Assim, o mendigo, o menino rua, a prostituição, as drogas, a violência, a corrupção, a degradação do outro não mobilizam como antes mobilizam a movimentação social. Entretanto, há parcelas da população assustadas com essa normalidade do anormal e assim fundam instituições de promoção do anormal dentro dessa normalidade patológica. Eles vêm dizer, por exemplo, que meninos de rua não é tão normal assim, vêm dizer que pessoas sem educação básica é anormal e que fogem do normal da cidadania.


Portanto, as ONGs, de certa forma, representam o resgate ideológico da normalidade através do apontamento do anormal e do excluído dos direitos de cidadania. Sua função é a de ressensibilizar os dessensibilizados ao advogar que algumas condições de vida são anormais perante uma rede de dispositivos legais que garantem a normalidade perdida da cidadania.


Na modernidade havia o instituto psicológico da Identificação. Em família havia a existência do discurso do Outro que nos apontava o caminho ideal e com essa forma de caminhar nos identificávamos barrando o excesso de desejo pueril com o qual nos sobejávamos na infância. A relação entre família e os papéis de seus membros se modificaram. Novas funções são observadas. Não há mais quem diga sobre o certo ou errado e barre o excesso de desejo em família. Só há quem na sociedade profetize o excesso de desejo como ativadores de males vindouros.


Percebemos na atualidade a queda do outro que regula o excesso de desejo em família, pois barrar agora é crime inadequado. A lei familiar não mais proíbe o desejo, pois ela não existe. A proibição pela lei se fora e presenciamos o excesso e o desrespeito pela existência do próximo. A alteridade só existe enquanto servir de objeto do desejo. Daí a efemeridade dos encontros. Portanto, desejo excessivo sem lei nos fala de egoísmo a partir de um ponto de vista. O que importa é exceder o desejo, mesmo que o outro, que não aprendemos a vê-lo em seus direitos básicos, exista.


Assim caminhamos, em excesso e em nova normalidade. Rumo a uma nova sociedade. A sociedade do excesso. Sociedade sem noção de privado. A sociedade do diverso. A sociedade sem lei para o desejo. Uma sociedade sem exceção e egoísta, portanto.


A partir dessa reflexão, qual seria o papel do cristão nessa sociedade? Qual tem sido a influência dessa sociedade (que está apontada em II Tm 4:3) sobre a Eclésia? Muitas por certo. É só observar os tentáculos tentadores do neopentecostalismo que se harmoniza perfeitamente com essa proposta de sociedade do excesso sem exceção.


Uma sociedade que apregoa o anarquismo do desejo humano é uma sociedade que pode ser mais interessante para dar vazão à voz do pecado que habita o ser humano.


Uma sociedade onde ser cristão é continuar dando vazão aos desejos humanos em excesso e sem exceção até mesmo dentro da igreja que possui Jesus hereticamente vestindo a indumentária de garçom e não de Redentor.


Um dos efeitos dessa sociedade dentro da igreja é que aqui funciona como restaurante de desejos. Fala-se de santificação, de Jesus, de obediência e disso tudo que está na bíblia e pregado há mais de 500 anos a partir da reforma protestante.


Só que nesses tempos de hipermodernidade há uma diferença na pregação. Tudo isso – cristo, santificação, obediência à Palavra, etc., virou um meio para se conseguir um fim: a realização do próprio desejo. Busca-se santidade para se conseguir realizar mais desejos, como fichas que se acumulam: quanto mais santo e mais obediente mais bênçãos se recebe.


Portanto, um dos desafios da igreja está em manter-se biblicamente embasada e teologicamente atualizada para esta época que nos lança desafios constantes ante a educação dos filhos e do discipulado cristão. Reverter essa situação de Cristo como intermediário entre a santidade e o desejo humano compulsivo (que não deixa de ser um pecado).


Deus deve reassumir o seu papel: O Eu Sou O Que Sou definido em essência e sem pragmatismo e nem relativismo algum em sua definição. Deus não é filosofia de vida. É Senhor e deve ser adorado pelo que É e não pelo que poderia dar se quisesse.

Marcelo Quirino
Psicólogo Clínico (UFRJ)
Fone (021) 8260.6966
www.marceloquirino.com
http://twitter.com/quirinopsico

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os Benefícios Psicológicos da Oração

Por Marcelo Quirino

Membro da PIB Guarani – São João de Meriti
www.twitter.com/quirinopsico
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Além da óbvia conseqüência espiritual, a oração proporciona alguns benefícios psicológicos ao cristão. Há vários tipos de oração e cada um deles possibilita ao cristão experimentar algumas vivências psicológicas específicas que se relacionam com a dimensão espiritual.
A oração possui resultados de dissipar emoções negativas e pesadas, acalmar, oferecer direção para decisões, esclarecer o cristão sobre suas crenças irracionais e preconceitos, iluminar sobre comportamentos errôneos, oferecer motivação para a luta, elucidar o cristão sobre as suas impulsões, além de outros benefícios.
No ato de orar não só falamos, mas escutamos Deus também. É no ato de utilizar a linguagem e expor nossa psicodinâmica para Deus a fim de que o Espírito Santo analise nossos anseios, conflitos psicológicos e nossa estrutura de personalidade. Portanto, a oração traz também maturidade psicológica.
Os Tipos e os Benefícios Psicológicos da Oração
Um sistema classificatório de orações se justifica com objetivos didáticos, uma vez que durante o ato de orar elas podem se alternar. Cada um pode ter vários benefícios, mas destacamos apenas alguns de acordo com a parte da estrutura psicológica utilizada em cada um dos tipos de oração.
Segundo os objetivos de cada oração, poderíamos didaticamente separá-las em oração de clamor, a confessional, a dialógica, a de consagração, a de louvor, a de intercessão e a oração de meditação.
A primeira oração é a confessional. É pela oração confessional que admitimos a existência de um conflito, pecado ou problema. Nessa oração é com a ajuda do Espírito Santo que geramos o desconforto psicológico necessário para a mudança através da sensação de culpa positiva.
Por isso a oração confessional permite a assunção da parcela de responsabilidade ante o próprio comportamento e motiva para resolução do conflito fazendo com que o cristão seja responsável pelo seu processo de santificação. Beneficia a responsabilidade pela santificação e proporciona autoconhecimento.
A oração de clamor permite ao cristão reconhecer-se como servo e não permite que o ego atinja altos níveis de individualismo que gerariam a sensação de independência plena de Deus. Essa oração tem por característica um pedido de resolução sobre um conflito ou problema.
No ato de clamar abrandamos os receios impostos pelo ego, as culpas negativas e também entregamos a Deus nossos desejos impulsivos. Beneficia a dependência de Deus e proporciona maior controle do ego sobre a realidade psicológica.
A oração de diálogo é a oração com Deus descompromissada com qualquer temática. Ela nos permite esclarecer nossas crenças irracionais, nossos preconceitos, nossa ignorância e nos ilumina ante um conflito psicológico. A oração dialógica permite análise dos desejos humanos e uma análise da nossa forma de relação interpessoal no grupo, família ou igreja.
A oração dialógica é um bate-papo onde podem aparecer ideias e aflorar criatividade para um projeto no ministério, por exemplo. Nesse tipo de oração não há muita manifestação de culpas, já que não há compromisso com algum conflito psicológico. Beneficia a criatividade e promove capacidade de análise ao ego.
A oração de consagração é aquela onde fazemos pactos com Deus e com nossos irmãos. Consagramos desejos e comportamentos. Como a oração de posse no ministério pastoral, por exemplo. É nessa oração que enfatizamos que apesar da existência de qualquer conflito psicológico, problema ou desejo, precisaremos nos manter no pactuado.
Na oração de consagração o ego analisa que precisará manter-se firme diante conflitos psicológicos. Beneficia a confiança em Deus.
A oração de adoração e louvor é a oração que engrandece a Deus pelos seus feitos, pelo seu ato no Calvário e pela sua onipotência. É nessa oração que o cristão reconhece-se como dependente de Deus e evita a desobediência. Beneficia a aliança com Deus.
A oração de intercessão é a oração que pedimos a Deus pelos nossos irmãos e suas causas. É nessa oração que pomos nosso tempo e nossa oração à serviço da igreja, dos familiares e dos não crentes. É uma oração que beneficia a comunhão com o corpo de Cristo e proporciona misericórdia e compaixão, ou o senso de empatia.
Na oração de meditação nós refletimos na palavra divina, em nossa própria vida, em nossa estrutura psicológica e nas relações interpessoais. Pela oração de meditação nós nos santificamos pela Palavra e iluminamos decisões a serem tomadas e promovemos um processo de autoconhecimento direcionado pelo Espírito Santo. Nessa oração beneficiamos o crescimento espiritual.
Esses cinco tipos obedeceram ao critério do objetivo da comunicação. Outras divisões poderiam ser feitas de acordo com outros critérios. Essa forma de divisão nos é importante e útil, pois evidencia quais as partes da personalidade estão postas em ação para alcançar o objetivo predeterminado da oração e consequentemente constata-se alguns benefícios adjacentes.
Portanto, percebemos que cada tipo de oração difere na parte da personalidade que é utilizada para se comunicar com Deus e consequentemente seus benefícios são diferentes.
Apesar dessa análise, cada tipo de oração é um momento único de falar com Deus e não podemos compreender todos os seus benefícios com uma breve análise psicológica. Deus pode ainda quebrar essas regras e oferecer os benefícios que quiser, afinal Ele é o soberano.
A Oração Como Expressão de Fé
Assim sendo, buscar benefícios psicológicos em uma oração não é o nosso desafio. Nosso desafio supremo nesses tempos de crise de identidade doutrinária bíblica e batista é fazer da oração uma expressão genuína de fé e não colocá-la à serviço da confissão positiva.
A confissão positiva é o desespero humano posto em palavras para controlar o próprio futuro ao invés de conceder o seu controle para Deus. É a falta de fé, expressa num impulso de onipotência, que motiva tal necessidade de controle.
A confissão positiva não é expressão do espiritual. Pode ser fruto da ausência de fé e tem a ver com conflitos e desejos psicológicos não submetidos a Deus.
Ter fé é conseguir suportar o desconforto psicológico como medos e receios sabendo de antemão que Deus proverá naquilo que Ele prometeu em sua Palavra, apesar do contexto visto dizer o contrário. Ter fé é saber esperar com certeza o agir de Deus.
Firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem, a fé não tem a ver com ordenar, mas tem a ver com depender confiantemente de Deus.
Ter fé tem a ver com conter a si mesmo e não com dominar o mundo externo pela palavra declarada. Fé tem a ver com equilíbrio emocional e é a firme crença psicológica inabalável na providência divina

O muro caiu



Há vinte anos, em 9 de novembro de 1989, os alemães orientais derrubaram o muro de Berlim. Considerado um dos maiores símbolos da Guerra Fria, o muro deixou de existir. Libertando-se de quatro décadas de totalitarismo e enterrado para sempre a experiência comunista. A queda do muro de Berlim simbolizou o desmoronamento do comunismo na Europa Central e Oriental. Esta semana toda e Alemanha e o mundo comemoraram a queda do muro. Milhares de pessoas foram para frente do portão de Brandemburgo para festejarem os vinte anos do que era considerado o muro da vergonha.

Assim como em Berlim, no inicio da criação, não havia um muro em nossa relação com Deus, porém, por decisão própria, o homem resolveu desobedecer o limite estabelecido pelo Criador. “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn. 2.16,17) “...tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn. 3.6). A partir desse momento um muro foi erguido. Deus não desejou isso. Foi o homem que decidiu erguê-lo, e teve que sofrer as terríveis conseqüências (uma tipificação desse muro é de Berlim): Vergonha, Medo, Fuga, Expulsão e Morte “Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.” (Gn. 3.7-10) e por fim, foram expulsos da presença (jardim do Éden) de Deus (Gn. 3.23,24). Uma enorme barreira foi construída (o pecado) “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm. 3.23)

O pecado condenou para sempre toda raça humana. Contudo, Deus anunciou desde aquele momento que o pecado (o muro que nos separa e nos condena) seria resolvido quando viesse da mulher (Jesus) aquele que viria para “ferir a cabeça da serpente” (Gn. 3.15). Como cita João: “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1Jo.3.8). Com a morte de Jesus na cruz a parede que separava o homem de Deus caiu. Havia um símbolo desta separação no templo. O véu, que separava o lugar santo, onde o somente o Sumo sacerdote poderia entrar, do santo dos santos onde estava a arca e onde Deus se manifestava entre os querubins. Ele foi rasgado “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo” (Mt. 27.51). Do alto a baixo, significa que não foi obra humana, e sim divina. O próprio Deus agiu retirando a muro que nos separava dele. O apóstolo Paulo declara: " que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (2Co. 5.19). Esta separação é provida pela morte de Jesus Cristo.

Numa história que foi contada por um teólogo suíço, Karl Bart. Em uma de suas pregações Karl Bart falou de um grupo de soldados japoneses que em 1965, 20 anos depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, estavam escondidos numa ilha do Pacífico e não sabiam que a guerra havia terminado. Fugiam de todo contato com as pessoas, não tinham mais armas, não queriam se render, “um japonês não se rende”, mas também não podiam vencer a guerra, então ficavam escondidos no meio do mato. A noite entravam em alguma aldeia, roubavam alguma galinha, um porco, ovos, para se alimentar, o pessoal dessas aldeias começou a descobrir que havia alguma coisa errada. Panfletos foram lançados em dialetos que eles pudessem entender, na língua japonesa, dizendo que a guerra havia terminado, mas eles não se renderam pensando que fosse um truque dos aliados, até que uma noite, um deles que foi saquear uma granja foi preso.

Então levaram-no para a aldeia e mostraram que a guerra havia terminado, que agora, essas coisas pós-guerra, Japão e Estados Unidos eram aliados, que não havia mais motivo para continuar escondido. Ele então voltou para o grupo e o grupo, que a 20 anos vivia escondido nas matas de uma ilhota do Pacífico voltou para a civilização. E como só no Japão isso acontece, eles foram recebidos como heróis.
Aí disse o teólogo Karl Bart: “povo muito estranho este vivendo numa guerra que havia terminado 20 anos antes, mas muito mais estranho é o homem que insiste em viver em guerra com Deus, mais de dois mil anos depois de Jesus Cristo ter conseguido o armistício na cruz do Calvário”.

Ainda hoje, muito mais estranha é a pessoa que insiste em viver sem paz com Deus mais de dois mil anos depois que Jesus Cristo nos ofereceu a paz na cruz do Calvário. Muito mais estranho é o homem e a mulher que vivem separados e desamparados, depois que Jesus Cristo resolveu esta questão. Não é preciso mais viver distante de Deus. Não é mais preciso viver sem ele e não é preciso mais a sensação de separação. Deus nos recebe e nos aceita como somos, na pessoa de Cristo. Sim, o muro caiu! Mas, será que para você este muro tenha caído? Sabe aquela sensação de estamos fora do lugar. Esta compreensão de que nós não estamos vivendo como deveríamos viver e no fundo qualquer pessoa, se tiver um pouco de honestidade consigo mesmo há de reconhecer que a sua vida fica abaixo do que ela poderia viver, seja honesto com você mesmo. A vida que você vive é tudo o que você poderia viver? Você se sente encontrado, ajustado, realizado no mundo? Sabe que está vivendo como Deus gostaria que você vivesse? Sente-se completo? Pode dizer, está tudo bem realmente comigo?

Você pode viver bem com Deus, você pode ter paz com Deus, você pode experimentar a certeza de que Deus o aceita, você pode ser amparado por ele, ele sofreu para que você não sofresse e se ele foi morto para que você vivesse.
Pense sobre a sua vida, sobre o que Cristo lhe oferece e sobre esta gloriosa possibilidade de viver com Deus e com Jesus Cristo. O muro já caiu, para aquele que o recebe. É a oportunidade que você tem e que você deve aceitar. Deus o abençoe.

Pr Nelmo Monteiro Pinto

APAGÃO, INCLUSIVE ESPIRITUAL


O Brasil nos últimos anos foi vitima de alguns apagões, os quais proporcionaram seriíssimos problemas a toda sociedade brasileira. No que tange ao Cristianismo, vivemos hoje um sério apagão teológico, onde os mais variados distúrbios doutrinários são observados. Unção do riso; unção do leão; unção apostólica; crentes de segunda classe; troca de anjo da guarda; arrebatamento ao 3º céu; festa dos sinais; night gospel song; sal grosso pra espantar mal olhado; maldições hereditárias; encostos; óleo ungido pra arrumar namorado; sessões do descarrego; “paiostolos”, monarcas da fé, coronéis apostólicos, música para o diabo, atos proféticos descabidos e burrificados, dentre tantas outras coisas mais, tornaram-se infelizmente marcas negativas dessa geração.


Caro leitor, as praticas litúrgicas por parte da igreja evangélica brasileira fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, até porque, nesses dias, como no século XVI a mercantilização da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar. Ao ler aberrações como as narradas acima, sinto-me profundamente desanimado com os rumos da igreja brasileira. Até porque, em nome de uma espiritualidade burra, oca e egoísta, centenas de “pastores” movidos pela ganância e o poder, têm corrido desenfreadamente a procura de títulos cada mais aberrativos. Infelizmente a apostolização moderna tem feito de muitos destes, pequenos reis, os quais em cerimônias nababescas são coroados como tais.

A febre do gospel, o mercantilismo podre na vida de muitos, me enojam substancialmente. Há pouco soube por intermédio de um pastor amigo, que uma famosa cantora gospel, tinha no seu staff um travesti. Aonde vamos parar? Chega! Basta! Não suporto mais o misticismo e dualismo promovido pelos gurus da batalha espiritual, não agüento mais ouvir as loucuras dos profetas da mentira, os quais escravizam o rebanho de Deus com heresias das mais hediondas, elaborando mapas, ungindo e urinando nos 04 cantos da cidade. Se não bastasse isso, profetas da modernidade tem ensinado que Caim virou Vampiro, que estão se abrindo “portais dimensionais”, que existem lobisomens, dentre outras lendas e superstições absurdas. Caro leitor e irmão em Cristo, por favor responda sinceramente: você consegue acreditar numa coisa dessas?

Pois é, estamos vivendo um forte e tenebroso apagão teológico. Que Deus tenha misericórdia do seu povo!
Pense Nisso,

Renato Vargens
Fonte: http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=6613

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A MÁQUINA DE ESCREVER

A importância de cada tecla da nossa vida
Apxsar dx minha máquina dx xscrxvxr sxr um modxlo antigo, funciona bxm, com xxcxção dx uma txcla.

Há 42 txclas qux funcionam bxm, mxnos uma, x isso faz uma grandx difxrxnça.

Às vxzxs, mx parxcx qux mxu grupo x como a minha máquina dx xscrxvxr, qux nxm todos os mxmbros xstão dxsxmpxnhando suas funçõxs como dxviam, qux txm um mxmbro achando qux sua ausxncia não fará falta...

Vocx dirá: "Afinal, sou apxnas uma pxça sxm xxprxssão x, por isso, não farxi difxrxnça x falta à comunidadx."

Xntrxtanto, para uma organização podxr progrxdir xficixntxmxntx, prxcisa da participação ativa x consxcutiva dx todos os sxus intxgrantxs.

Na próxima vxz qux vocx pxnsar qux não prxcisam dx vocx, lxmbrx-sx da minha vxlha máquina dx xscrxvxr x diga a si mxsmo:


"Xu sou a pxça mais importantx do grupo x os mxus amigos prxcisam dx mxus sxrviços!"

Pronto, Agora consertei a minha máquina de escrever. Você entendeu o que eu queria te dizer??

Percebeu a sua imensa participação na vida daqueles ao seu redor...
percebeu que assim como tem pessoas que são importantes para nós, também, somos importantes para alguém.

Lembre-se de que somos parte do Universo e como tal somos uma peça que não podemos faltar no quebra-cabeça da vida.


Fonte: Portal da Família

sábado, 7 de novembro de 2009

O Manual do Fabricante

Diz o ditado popular que você pensa o que lê. Você fala o que pensa. Você é o que fala. Desse modo, só há um jeito de você não se tornar um burro merecedor de carroça. É ler o máximo possível. E ler coisa positiva, séria e produtiva. Porque se você ler porcaria não vai passar disso aí. Quem lê revista em quadrinhos, cheia de heróis ridículos que tudo podem (e nada são na realidade), vai tentar ser igual a eles e sem dúvidas ficará decepcionado. A criança e o jovem são moldados pela leitura e o exemplo dos pais e professores. Se você é um mau pai, que fuma, bebe, fala palavrões e ataca seus vizinhos, seu filho será, sem dúvidas, um fracasso na vida. Ele vai seguir o seu exemplo e cair cada vez mais. O mesmo se pode dizer com relação à mãe que dá mau exemplo à sua filha.
No Nordeste já existe uma “Escola para os Pais”, a fim de que eles aprendam como educar melhor os seus filhos. Que mentira, que lorota boa... Você só aprende a educar os seus filhos se tiver uma sólida base moral e religiosa. E essa base você só conseguirá lendo a Bíblia, que é a Palavra de Deus. Deus criou o homem e todo o universo. Só Ele conhece os defeitos e necessidades de todos nós. Se você compra um aparelho de som, TV ou Vídeo cassete vai logo procurar o manual de instruções – do fabricante. O MANUAL ESPIRITUAL DA HUMANIDADE É A BÍBLIA. Só ela conhece cada milímetro de nosso ser, físico, mental e espiritual, e só ela pode aconselhar seguramente como devemos cuidar de nosso aparelho completo.
Há 2000 anos a humanidade dá cabeçadas porque não procura ler o Manual do Fabricante. Todos os países que foram colonizados por evangélicos se tornaram ricos e poderosos. Por que? Simplesmente porque os seus fundadores costumavam ler o Manual do Fabricante e cuidar bem de si mesmos e da família. Uma família perfeita gera um estado perfeito e uma nação rica e feliz. Enquanto a Europa e os Estados Unidos se guiaram pelo Manual do Fabricante iam de bem a melhor. Então veio a Teologia Liberal, desacreditando a Bíblia, e os países ricos começaram a desmoronar. Nos Estados Unidos, o Satanismo já domina 40% da população. Resultado, segundo a escritora ex-satanista, Lauren Statford, cerca de 60 mil pessoas são sacrificadas anualmente a Satanás.
Agora leio o livro de um cristão bíblico, apresentador de rádio e TV nos Estados Unidos e ele conta casos de estarrecer. Dentre esses, o de adolescentes que se tornando fanáticos seguidores dos conjuntos Black Metal começaram a ingerir drogas, entraram em organizações satânicas e acabaram matando amigos e parentes, para agradar o príncipe das trevas. Um deles é Seem Sellers, atualmente no corredor da morte, porque matou seus pais. Além das músicas do “Heavy” e “Black Metal”, existem as revistas de pornografia, que usam bebês, crianças e adolescentes para fazer suas fotos pornográficas e as vendem aos viciados. Geralmente esses viciados em Rock, drogas e pornografia são de todas as camadas sociais e religiosas. Satanás usa uma trilogia para arrebanhar almas para o inferno: Rock, drogas e pornografia. São os ingredientes necessários para alguém entrar nas “igrejas” satânicas americanas, para depois acabar matando pessoas e se suicidando. E o país está afundado no lodaçal da imoralidade e do satanismo, simplesmente porque trocou a Bíblia pelas revistas “PlayBoy” e congêneres.
O Brasil já está se encaminhado para um abismo desse tipo. Nas bancas de jornais as revistas pornográficas são vendidas a qualquer jovem ou adulto. Em nome da liberdade de imprensa e dos direitos humanos podem-se comprar todas as mazelas morais em forma de revista. Depois esses delinqüentes vão para casa. Lêem até cair de cansaço. Então ligam a TV para ver a seção da meia-noite, onde os filmes são de terror, imorais e satânicos. Alimentam-se constantemente de lixo... Lixo... Precisamos atacar o mal pela raiz, pregando o evangelho e ajudando a comunidade. Todos gritam contra os policias de Diadema, contra os matadores do índio Pataxó, mas não procuram conhecer a raiz do problema.
Esses policiais e esses garotos incendiários sem dúvida deviam ser fanáticos por Rock pesado, pornografia, drogas, sexo e outros itens da sacola “supermarket” de Satanás.
Quem se alimenta mentalmente de pornografia, ouvindo música druida, fumando “inocentes” cigarros de maconha, sem dúvida alguma será um forte candidato a abusar de suas irmãs adolescentes e até mesmo matar seu pai, sua mãe e qualquer um que atravessar em seu caminho. Paremos para pensar, enquanto é tempo.

Mary Schultze - 24/07/1997
Escrito há 12 anos, mas ainda atual

Homem gastou 3.500 libras para se parecer com e diabo


Um excêntrico que gastou 3.500 libras (cerca de quatro mil euros) para se parecer com o diabo foi, nesta sexta-feira (17), proibido de circular pelas ruas inglesas à noite.

Gavin Paslow, de 39 anos, tem feito algumas cirurgias para se assemelhar fisicamente com Belzebu: tem os dentes afiados, barba bicuda (que raspou para ir a um tribunal), língua bifurcada, implantes na testa que parecem dois chifres e usa lentes de contato verdes (do gênero dos répteis). Mas a transformação só estará completa quando colocar implantes ósseos na espinha desde a cabeça até às costas e tiver uma cauda verdadeira.

Este amante de heavy metal tem 29 tatuagens temáticas e 11 piercings e diz que vê o corpo como “um trabalho em progresso”. Recusa que esteja a passar por uma crise de idade, salientando que “não existe nada de errado” com ele e que é “quase humano”.

Separado e pai de duas filhas (com três e 15 anos), Gavin foi acusado de fraudes fiscais. Quando se apresentou no tribunal com este aspecto e sob o nome Diablo Delenfer, os juízes determinaram que passaria a ter recolher obrigatório e não poderia perambular pelas ruas durante a noite.

Fonte: http://conteudo.arcauniversal.com/2009/07/21/homem-gastou-3500-libras-em-cirurgias-para-parecer-com-o-diabo/

Para reconhecer mentiras Se você acredita que quem tenta enganar alguém sua frio e evita o olhar do interlocutor, surpreenda-se

por Marc-André Reinhard
© roberto a sanchez/istockphoto

Como podemos perceber se estamos sendo enganados? Existem sinais claros que indicam uma mentira, algo que possa ser comparado à tão conhecida metáfora ao nariz do Pinóquio que se tornava cada vez maior quando ele ocultava a verdade? Infelizmente não. Durante muito tempo as pessoas acreditaram que podiam identificar um mentiroso por comportamentos ou sinais corporais – como coçar a cabeça com frequência; movimentar-se de forma agitada ou ficar com as faces coradas. No entanto, um grupo de pesquisadores coordenado pela psicóloga Bella M. DePaulo, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Estados Unidos, garante que normalmente não é isso que acontece. Em 2003 ela já havia reunido e analisado resultados de 120 estudos sobre os sintomas físicos que acompanham mentiras. Conclusão: os estereótipos raramente são verdadeiros; em geral, mentirosos não escorregam nervosos na cadeira, nem evitam o contato visual de seu interlocutor.

Na verdade, para a maioria das pessoas é realmente muito difícil discernir se uma declaração é verdadeira ou falsa. Foi a essa conclusão a que chegaram Bella e seu colega Charles F. Bond, da Universidade Cristã do Texas, em 2006, em, outro estudo sobre o tema. Para tanto, os dois pesquisadores resumiram os resultados de 206 estudos sobre a cota de acertos em julgamentos sobre credibilidade. No total, apenas 54 desses julgamentos sobre a veracidade ou não de uma declaração estavam corretos, um valor estatisticamente pouco significativo – que talvez pudesse ter sido atingido também por meio de pura adivinhação. Mas convém levar em conta que, na média, os sujeitos reconheceram mais frequentemente afirmações verdadeiras do que mentiras. No entanto, há estratégias com as quais as enganações podem ser descobertas com alguma margem de segurança.

Tomando por base os estudos levantados por Bond e Bella, pesquisadores da mesma equipe compararam diversos canais sensoriais. Ao analisar os resultados dos exames, os estudiosos chegaram à conclusão de que sinais acústicos ajudam mais a reconhecer engodos que visuais: nos experimentos, os sujeitos podiam diferenciar de forma mais nítida as mentiras quando ouviam a declaração duvidosa com atenção, em vez de observar o falante, à procura de sinais reveladores.

Marc-André Reinhard é doutor em psicologia social e pesquisador da Universidade de Mannheim, na Alemanha.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/para_reconhecer_mentiras.html

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O que a Igreja ensina e os Tele-evangelistas negam

Inúmeros pastores têm compartilhado as suas preocupações com os ensinamentos ministrados por alguns dos tele-evangelistas. Há pouco, um pastor amigo me disse: “A gente dá um duro absurdo ensinando aos membros de nossas igrejas a sã doutrina para que esses lobos vorazes desconstruam tudo que ministramos, através de seus programas televisivos.”
Isto posto, afirmo sem a menor sombra de dúvidas que aquilo que a igreja ensina, os tele-evangelistas negam, senão vejamos:
1º - A igreja ensina que em Cristo o escrito de dívida que constava contra nós foi cancelado; já os tele-evangelistas ensinam que os crentes precisam se libertar das maldições hereditárias.
2º - A Igreja ensina que Jesus é o Senhor; os tele-evangelistas que Deus é o gênio da lâmpada mágica.
3º - A igreja ensina que as Escrituras nos bastam; já os tele-evangelistas de que o mais importante são as experiências.
4º - A igreja ensina que devemos orar segundo a vontade de Deus; os tele-evangelistas que devemos decretar a bênção.
5º - A igreja ensina que aqueles que buscam o reino de Deus, todas as coisas lhes serão acrescentadas; os tele-evangelistas de que em Cristo seremos ricos.
6º - A igreja ensina que Jesus Cristo é Deus; os tele-evangelistas de que ele é fonte de vitória.
7º - A igreja ensina sobre a trindade; os tele-evangelistas o unitarismo.
8 º - A igreja ensina sobre a mordomia cristã; os tele-evangelistas de como extorquir dinheiro do povo.
9º - A igreja ensina sobre um Deus soberano que governa sobre todas as coisas; os tele-evangelistas de que Deus pode ser surpreendido por catástrofes e tragédias.
10º - A igreja ensina que os nossos cultos devem ser cristocêntricos; os tele-evangelistas de que devem ser antropocêntricos.
11 º A igreja ensina que adorar a Deus é humilhar-se pedindo perdão pelos pecados; os tele-evangelistas de que adorar é saltar de alegria nos famigerados shows gospel.
12º - A igreja ensina de que não devemos perder tempo com o diabo; os tele-evangelistas de que devemos entrevistá-los.
13º - A igreja ensina a simplicidade do evangelho; os tele-evangelistas a zooteologia, onde cães, leões, águias e outros bichos mais se fazem presentes nas manifestações de louvor a Deus.
14º - A igreja ensina que os ritos sacrificiais e as festas judaicas foram abolidos definitivamente por Cristo na cruz do calvário; Os tele-evangelistas judaizaram a fé.
15º - A igreja ensina que o maligno não nos toca; os tele-evangelistas de que basta dar legalidade que o diabo faz um inferno na vida do crente.
16º - A igreja ensina sobre discipulado; os tele-evangelistas sobre coronelismo e cobertura espiritual.
17º - A igreja ensina que avivamento se faz presente através do choro e arrependimento; os tele-evangelistas que avivamento é barulho.
18º - A igreja ensina o perdão, os tele-evangelistas o ódio.
Pois é cara pálida, dias difíceis os nossos! Que Deus tenha misericórdia da sua grei!
Pense nisso!
Renato Vargens [via Solomon]

Fonte: http://pavablog.blogspot.com/

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Os ateus vivem mal com seu “nada” e por isso agridem a fé?

Na apresentação do seu último livro, José Saramago declarou que a Bíblia era um “manual de maus costumes” e um “catálogo de crueldades”, e que Deus não era “de fiar”, por ser “vingativo, rancoroso e má pessoa”.

Nos dias seguintes, católicos e não só acusaram-no de provocação gratuita e de ignorância, por estar a fazer uma leitura literal do texto bíblico.

De facto, a Sagrada Escritura não pode ser lida como uma narrativa textual e objectiva, e muito menos o pode ser, sob pena de anacronismo, com os nossos olhos de hoje. A Bíblia está repleta de alegorias, metáforas, simbolismos, mitos, lendas e profecias, requerendo uma exegese que saiba extrair, de cada história ali contida, o seu significado moral. No episódio de Caim e Abel, o excerto do «Génesis» que inspirou o livro de Saramago, o texto expõe o leitor a uma morte, idêntica a outras, sacrificiais, presentes no Antigo Testamento; mas a interpretação supra-literal deve remeter-nos para a escolha humana entre o Bem e o Mal e, portanto, para a condenação da violência.

A meu ver, contudo, o cerne da polémica não é este. Saramago sabe perfeitamente, porque é escritor e criador de imagens, que não faz sentido, do ponto de vista discursivo, depreciar a Bíblia como ele o fez – ou então estaríamos condenados a censurar grande parte da literatura profana ocidental. Sabe também (e tem dificuldade em admiti-lo) que, além das histórias de violência e opressão, a Bíblia fala sobretudo das vítimas, dos pobres e marginalizados, para lhes oferecer consolo e esperança – muito antes de Karl Marx ter reparado neles. Sabe, finalmente, que o que disse, em si mesmo, é de um simplismo confrangedor: achar que porque Caim matou Abel toda a Bíblia está cheia de crueldades é tão superficial e redutor como afirmar que porque Stalin matou milhões todos os comunistas são potenciais assassinos!

O problema de Saramago não é com a Bíblia – é com a simples existência da religião. Desde que Robespierre decidiu descristianizar o mundo, os “iluminados” da modernidade e os órfãos dos “deuses” menores, terrenos e bem violentos, não convivem bem com a crença alheia. O racionalismo cientista e materialista não concebe que haja seres humanos que acreditam no que a ciência não comprova existir.

José Saramago revelou, no fundo, incomodo, sectarismo e intolerância em relação ao fenómeno religioso.

Ninguém lhe contesta o direito de escrever e muito menos o de ser ateu; nem se lhe pede que aceite ou compreenda a Fé dos outros. Pede-se, apenas, com a autoridade e a responsabilidade públicas de ser Prémio Nobel como ele é, que a respeite, porque é essa a medida da tolerância e da civilização.

A atitude de Saramago é um sinal dos tempos: os cristãos vivem bem com a sua crença; são os ateus é que parecem (con) viver mal com a religião. Deve ser por isso que, não acreditando em Deus, Saramago não cessa de falar d’ Ele. Ora, havendo espaço para a crença e para o ateísmo, cada um deve escolher o seu caminho, sem revelar a alma intranquila de quem, invocando o direito à diferença, afinal insulta o diferente como bárbaro e vicioso.

José Miguel Sardica
Professor da Universidade Católica Portuguesa

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/3672-os-ateus-vivem-mal-com-seu-nada-e-por-isso-agridem-a-fe

A Virgindade de Maria e a Incoerência Católica

Diz o Catecismo da Igreja Católica:


“O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem” (C.I.C., item 499, página 141).


Diz a Bíblia:


“José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher. Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus” (Mateus 1.24).

Comentário da Bíblia de Jerusalém, Paulus Editora, com a chancela datada de 01.11.1980, de Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Metropolitano de São Paulo:

“O texto não considera o período ulterior [posterior] e por si não afirma a virgindade perpétua de Maria, mas o resto do Evangelho, bem como a tradição da Igreja, a supõem”. Isto é, a Bíblia, aqui, só afirma a virgindade de Maria até o nascimento de Jesus.

Comentário do Monsenhor José Alberto L. de Castro Filho, na Bíblia Sagrada, foto acima, aprovada pela igreja romana, edição ecumênica, BARSA, 1977, tradução do Padre Antonio Pereira de Figueiredo, com notas do referido monsenhor, bispo auxiliar do Rio de Janeiro:

“Enquanto (ou até que): esta palavra portuguesa traduz o latim donec e o grego heos ou, que por sua vez estão calcados sobre a expressão hebraica ad ki que se refere ao tempo anterior [grifo meu] a esse limite sem nada dizer do tempo posterior, cf. Gn 8.7; Sl 109.1; Mt 12.20; 1 Tm 4.13. A tradução exata seria: “sem que ele a tivesse conhecido, deu à luz...”, pois a nossa expressão “sem que” tem o mesmo valor”.

Não poderia ser diferente a interpretação. Até o nascimento do primogênito, José não conheceu Maria, isto é, não teve relações sexuais com ela. O evangelho de Mateus foi escrito cerca de 60 antes depois de Cristo. O mais provável é que o evangelista conhecia a vida do casal José Maria, após o nascimento do primogênito. Poderia ter afirmado que o casal não teve outros filhos, e, inspirado pelo Espírito Santo, concluir que Maria permaneceu virgem até a morte. Não o fez.

Como vimos nas declarações do Catecismo, a doutrina da “sempre virgem” é uma confissão da Igreja Católica, uma dedução por sua conta e risco. Isto é corroborado pelo comentário da Bíblia Católica, ao dizer que “a tradição supõe”, isto é, trata-se de uma hipótese.

Sei que o contexto se faz necessário, mas não se encontra contexto favorável à doutrina da “sempre virgem”. Mais adiante, o mesmo evangelista arrematou:


“Não é ele [Jesus] o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem todas entre nós” (Mateus 13.55-56 – Bíblia de Jerusalém).


Todos os parentes naquela época eram chamados de irmãos, replicam alguns. Mais uma vez respondo com a palavra das citadas “Bíblias Católicas”, em que um parente é chamado de “primo”:


“Saúdam-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé...” (Colossenses 4.10). Esta carta paulina foi escrita cerca de 62 anos d.C., na mesma época em que Mateus escreveu seu evangelho.

Pr. Airton Evangelista da Costa

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